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Cloud e a TI invisível

Um fenômeno bem interessante que ocorre em muitas das médias e grandes empresas é a chamada “TI invisível”. Em resumo, são as tecnologias e os serviços adquiridos pelos usuários das áreas de negócio, com seus próprios budgets, à sombra de TI.

O fenômeno na prática

Esse fenômeno surgiu com o advento do modelo client-server, que permitiu que áreas usuárias comprassem pequenos servidores e aplicativos departamentais. Sem que TI soubesse, o processo se acelerou com o advento da Internet e agora o vemos potencializado pela computação em nuvem.

Vamos imaginar um cenário hipotético. Um executivo da linha de negócios precisa de um sistema de gestão de frotas. A resposta que ele ouve do CIO provavelmente será: “Não tenho budget para desenvolver esse sistema internamente, mas vá ao mercado e selecione um aplicativo que seja adequado e depois volte aqui”.

Ele assim o faz. Pesquisa o mercado e seleciona um dentre vários aplicativos. Volta ao CIO, mostra o aplicativo e ouve: “Muito bem, mas o aplicativo roda em Windows e meu ambiente é Linux. Terei que adquirir um servidor, banco de dados e outros softwares que serão necessários para operar o sistema. Além disso, terei que contratar um administrador para esse novo ambiente. Tudo isso vai demorar uns 3 meses”.

Resultado: ele vai gastar o dobro do planejado e terá que esperar muito tempo após aportar seu budget para usufruir da funcionalidade oferecida pelo aplicativo na sua empresa.

Buscando soluções

Outra coisa que ele poderá fazer: buscar aplicativos oferecidos na modalidade SaaS e adquirir um diretamente, bypassando por completo TI. Caso a empresa tenha o CRM da Salesforce, ele poderá ir ao AppExchange e selecionar um dentre vários aplicativos.

Hoje o AppExchange funciona apenas para aplicativos que rodem na nuvem do salesforce, mas nada impede o surgimento de outros mercados como vemos no setor de aplicativos móveis com Android market, Appstore etc.

O que o CIO deverá fazer? Lutar contra? Será quase impossível ganhar a guerra, pois o apelo econômico do modelo de computação é extremamente atrativo para ser ignorado. Além disso, com mais e mais disponibilidade de ofertas em nuvem, os usuários buscarão atender suas próprias demandas passando por cima das barreiras impostas por TI.

Usuários e seus perfis

A área de TI deve compreender que ela e os usuários têm prioridades diferentes quando estão adquirindo serviços e produtos de tecnologia. TI se preocupa primeiramente com questões de segurança e compatibilidade do novo aplicativo com o ambiente operacional. Os usuários priorizam a funcionalidade do aplicativo e deixam em segundo plano estas questões “técnico-mundanas”.

O atual modelo on-premise cria algumas barreiras, pois mesmo que o usuário adquira um aplicativo de forma independente, muitas vezes TI tem que entrar no circuito para instalar o servidor e seu ambiente operacional.

Em nuvem, TI não é necessária. O usuário interage diretamente com o provedor da nuvem e adquire o serviço com cartão de crédito. O acesso a vastos e baratos recursos computacionais como servidores virtuais em nuvens IaaS ou aplicativos SaaS, usando-se um simples cartão de crédito, tornam as coisas mais fáceis para o usuário bypassar TI.

Adaptando-se ao mercado

À medida que esse hábito se espalhar pela organização, teremos uma bomba relógio. Provavelmente, muitos desses aplicativos deverão interoperar com outros que estejam em outras nuvens ou mesmo on-premise em servidores gerenciados por TI. Como fazer essa interoperabilidade acontecer? Além disso, até que ponto os usuários se preocuparão com questões como backup ou aspectos legais quanto a privacidade e soberania dos dados?

Portanto, TI não pode e nem deve abdicar da responsabilidade de manter as tecnologias operando de forma segura e sempre disponível. Mas, na minha opinião, o atual modelo de controle de TI, extremamente restritiva e baseado no modelo de aplicativos e recursos computacionais on-premise, terá que ser flexibilizado.

Em tempos de mídias sociais, smartphones e tablets não dá para esperarmos muitos meses por um aplicativo. A velocidade do negócio exige que TI responda cada vez mais rápido e assim ao invés de lutar contra. A TI deverá se colocar como facilitador do processo de adoção da “TI invisível”. Esta já está acontecendo mesmo…

Conclusão

A área de TI deverá liderar o processo de adoção de cloud pelos usuários, propondo critérios e modelos de aquisição de recursos em nuvem, de modo a mitigar riscos para o negócio, aumentar economias de escala e garantir a integração e aderência às regras e legislações do setor.

TI deve, na verdade, “legalizar” a “TI invisível” e portanto deverá atuar de forma cada vez mais integrada e aderente às demandas do negócio. Suas prioridades deverão ser as mesmas do negócio.

Fonte: iMasters