Nuvens públicas: selecionando o melhor provedor

Fonte: Cezar Taurion/IMasters

Quando ouvimos o termo “cloud computing”, fazemos de imediato uma associação com o conceito de nuvem pública, baseada em IaaS. Essa percepção começou quando a Amazon anunciou o seu serviço AWS. Claro que ainda é um mercado que não está maduro – e nem poderia, pois o AWS surgiu em 2002, ou seja, há apenas dez anos -, mas esse processo de amadurecimento está se acelerando. Sua cosolidação fica mais forte quando empresas, como a IBM, também lançam sua nuvem pública. A da IBM se chama SCE – Smarter Cloud Enterprise.

Vamos lembrar que uma nuvem é basicamente a combinação de virtualização + padronização + automação, o que nos permite oferecer portais de acesso self-service aos usuários. No modelo IaaS, o provedor fornece basicamente servidores virtuais e seus sistemas operacionais. A partir daí, a responsabilidade de conteúdo, como middleware e aplicativos, é da empresa que contrata a nuvem, e não do provedor. Portanto, o IaaS é um serviço bem diferente do PaaS e do SaaS. Não podem e nem devem ser considerados como serviços similares. Sendo assim, entende-se que uma nuvem não é igual à outra.

O uso da nuvem pública começa, aos poucos, a ser comum, mas ainda encontramos alguns receios e desinformações circulando pelo mercado. Muita gente pensa que uma nuvem pública é para ser usada apenas para coisas mais periféricas, como sites e aplicações que não sejam críticos para as empresas. Mas já vemos muitos negócios baseados inteiramente nesse tipo de serviço, como o site brasileiro Peixe Urbano, e Netflix e FourSquare, dos EUA – e isso para citar apenas alguns exemplos. E esses são negócios que dependem de TI para funcionar e conseguem demonstrar na prática que uma nuvem pública é confiável.

Empresas de pequeno e médio porte tendem naturalmente a colocar seus data centers em nuvens públicas. E não só pelo menor custo, mas pela própria necessidade do negócio. Por que gastar recursos que são escassos, como tempo e dinheiro, mantendo servidores dentro de casa, se existe uma outra opção mais adequada? Na verdade, uma nuvem pública pode oferecer um nível de segurança e disponibilidade bem maior do que a oferecida hoje em muitos dos data centers das pequenas e médias empresas.

O que começa a mudar?

Adotar uma nuvem pública IaaS deixa de ser uma discussão técnica para ser uma decisão estratégica, de negócio. Mas, ao subirmos o patamar das decisões, a escolha do provedor de nuvem se torna algo mais complexo. Além disso, a governança de TI da empresa continua com a empresa. Não é terceirizada totalmente.

O modelo IaaS tende, aos poucos, a se tornar comoditizado, pois as ofertas, com o amadurecimento do mercado, tenderão a ser bastante similares em termos de segurança, disponibilidade, desempenho e suporte. Uma analogia simples pode ser feita com o mercado de PCs, quando praticamente não vemos diferenças marcantes entre os vários PCs disponíves no mercado. Mas hoje, com um mercado ainda em fase de amadurecimento, as ofertas dos diversos provedores são diferentes e, portanto, a escolha do provedor de nuvem não pode ser feita de forma superficial.

O que verificar quando analisar provedores?

Primeiro, se você for colocar seu negócio em uma nuvem, é importante que o provedor tenha um ou mais data centers que sejam adequados aos seus requisitos de segurança, disponibilidade, desempenho e suporte. À primeira vista todos oferecem, mas, quando você vai conferir, vê-se que a localização do data center de um provedor pode não ser a mais adequada em termos de garantia de segurança e acesso em momentos críticos. Há também a questão do suporte. Um bom suporte exige uma equipe técnica treinada e eficiente e custa dinheiro para manter isso. Além do mais, a nuvem tem que dispor de ferramentas tecnológicas que garantam a excelência na automação da operação. E, claro, sustentar o crescimento de sua base de clientes sem afetar os já existentes, oferecendo condições de escalabilidade. Novamente entram em cena os requisitos de expertise e capital.

Bem, vamos listar alguns requisitos que devem ser considerados quando analisamos potenciais provedores de nuvens públicas:

  1. Disponibilidade e SLA (Service Level Agreement): Qual o nível de disponibilidade oferecido? Quando analisamos mais detalhadamente o portfólio de aplicações de uma empresa, observamos que a maioria delas não é estratégica ou crítica, com um perfil de dados que não é sensível em termos de segurança. Também observamos que a maioria dessas aplicações pode operar em um ambiente de disponibilidade menor que 95%. Ora, essas aplicações podem ser deslocadas para nuvens públicas sem maiores sustos. Mas e se as aplicações precisarem de 99,9% de disponibilidade? O provedor oferece esse nível?
  2. Política de preços: O custo de hora de computação tende a ser bem barato, mas olhe com atenção os custos de armazenamento e comunicação. Veja também o nível de flexibilidade da política de preços. Por hora? Por dia? Contratos mensais? Veja quanto custa a capacidade adicional que você inicialmente requisitou.
  3. Em uma nuvem pública IaaS, você continua responsável pela governança da sua TI, mas veja o que o provedor pode oferecer em termos de serviços adicionais, como backup, ferramentas de monitoramento do desempenho, planejamento de capacidade etc. Essas ferramentas estão disponíveis para você analisar o desempenho dos seus servidores virtuais?
  4. Quais são os recursos de segurança implementados pelo provedor? Por exemplo, eles têm defesa contra ataques do tipo DoS (Denial of Service)? O provedor está compliance com certificações, como PCI, SAS 70, SSAE 16, ISO 27001 e FISMA, apenas para citar as mais comuns? Há um estudo muito interessante que aborda segurança em provedores de nuvem, acesse.
  5. O data center está localizado no território brasilerio? Se não, a que leis ele estará sujeito? Em caso de auditoria e eventual investigação forense, como você terá acesso a seus dados?
  6. Qual o background do fornecedor em lidar com clientes corporativos? O mercado voltado para usuário final e o corporativo são bem diferentes em demandas de suporte e preparo da equipe técnica. Um provedor que não tenha fortes raízes no atendimento ao mercado corporativo poderá encontrar muita dificuldade em atender às demandas específicas dos seus clientes.
  7. Suporte: Como é o suporte? 24 x7? Via e-mail, telefone ou chat? Qual a política de preços para níveis de suporte diferenciados?
  8. Billing: A fatura é fácil de entender e abrangente o suficiente para não gerar dúvidas?
  9. Contrato: Quais são as garantias contratuais? Como é a rescisão? Existem facilidades para você migrar para outro provedor? Quais e quanto custam? Existe garantia de que os dados serão apagados após o fim do contrato? Além disso, observe que na maioria das empresas a auditoria exige um contrato, diferente de uma nuvem de uso pessoal, em que com um simples cartão de crédito você abre uma conta e obtém servidores virtuais.
  10. O provedor é financeiramente estável? Tem condições de investir e acompanhar a evolução do mercado e das tecnologias de cloud? Tem condições de ampliar sua capacidade?
  11. Qual é a estratégia de cloud do provedor? Quão importante é para o negócio dele?
  12. Existe um ecossistema em torno do provedor que ofereça aplicativos, educação e consultoria que possam ajudá-lo a usar melhor a computação em nuvem?

Como vemos, existem vários requisitos que devem ser analisados. Fale com os representantes de vendas do provedor, visite o data center, ligue para outros clientes e veja o grau de satisfação deles. E não esqueça que a governança de TI continua com você. Assim, analise as licenças de software que você tem e valide-as com relação ao seu uso na nuvem. Mantenha uma equipe que interaja com o provedor para resolver problemas e manter um SLA adequado às suas necessidades. E concentre-se no seu negócio, deixando a tarefa de gerenciar os seus servidores e seus sistemas operacionais (puro overhead, que não agrega um centavo ao seu faturamento) por conta do provedor.

Bem-vindo às nuvens!

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